O amor e o atentado, que tem mudado a história

Franz Ferdinand anf his wife (1914)
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12. 3. 2014

Descubra a história do amor imperecível e da revolta, que antecipou a Primeira Guerra Mundial!

Francisco Fernando d‘Este, o último proprietário privado do castelo de Konopiště situado na Boêmia Central, deixou uma marca inapagável na história europeia. Junto com sua esposa Sofia Chotek faleceu em 28 de junho de 1914 em Sarajevo. Essa tragédia foi um dos estopins da Primeira Guerra Mundial cujo acontecimento este ano faz 1 século.

Francisco Fernando d‘Este (1863 – 1914) era um dos mais importantes aristocratas europeus da sua época, e também um dos homens mais ricos da Europa, ele viajava pelo mundo inteiro e dedicava-se à caça, sua maior paixão. Mas sua vida pacata mudou radicalmente em 1896, quando o seu pai faleceu e a vida de Francisco Fernando passou sob circunspeção especial: ele virou o príncipe herdeiro da Áustria, Hungria e Boêmia.

Não meta o nariz nas medalhinhas de outrem!

Os herdeiros do trono geralmente não podem fazer o que querem, mas Francisco Fernando mostrou ao imperador que tinha sua vontade e desobedecia tudo que o palácio imperial lhe tinha ordenado. Um exemplo perfeito da sua teimosia prudência, por causa da qual o imperador rangeu os dentes até a sua morte, foi a maneira de como ele escolheu sua esposa.

Apesar de Sofia Chotek ser uma aristocrata tcheca e sua árvore genealógica se estender até o século XIII,  do príncipe herdeiro se esperava um laço matrimonial com a filha de um rei ou um príncipe, mas nunca com uma condessa. Nada de estranho que os dois mantivessem sua relação em máximo segredo. O escândalo explodiu em 1898, quando Sofia era a dama de companhia da arquiduquesa Isabel. A arquiduquesa teve uma única explicação possível para as visitas frequentes do príncipe herdeiro em sua casa: Francisco Fernando se interessava por uma das suas filhas. Um dia ela encontrou a medalhinha dele e não conseguiu superar a sua curiosidade – mas dentro viu o retrato de Sofia, a mera dama de companhia. Na corte imperial armaram um barulho: a arquiduquesa demitiu Sofia e o imperador se dirigiu aos dois com ameaça de excluir seus filhos do direito da sucessão ao trono, na eventualidade de que os amantes levassem a sério sua relação. Francisco Ferdinando concordou. O imperador surpreendido ofereceu-lhe o prazo de um ano para repensar o assunto, mas ele não mudou sua decisão. O casamento foi celebrado em 1900 no palácio de Zákupy na Boêmia do Norte, mas os únicos membros da família imperial presentes eram a madrasta de Ferdinando e suas filhas.

De Konopiště até Sarajevo

Após muitos anos de intrigas e obstáculos, Ferdinando e Sofia moravam contentes junto com seus três filhos em vários lugares, e sobretudo no castelo de Konopiště, que depois da reforma tornou um dos castelos mais elegantes e modernos da monarquia naquela época. O arquiduque equipou sua sede com esplêndida mobília antiga, uma coleção de pinturas italianas, com troféus de caça e um depósito da coleção de armas, sem par na Europa, e junto ao castelo mandou fazer o parque e o jardim decorativo.

Embora o imperador tenha enternecedido um pouco e deu a Sofia Chotek um título de duquesa, ela continuava a render precedência aous outros membros da família. A corte imperial a ignorava ostensivamente, em público ela nunca podia sentar-se ao lado do seu marido, nem acompanhá-lo nas suas viagens para o estrangeiro. Foi por ironia do destino que a primeira viagem oficial à qual podiam ir juntos foi a visita fatal de Sarajevo em 1914, interrompida pelo atentado de 28 de junho.

Eles não foram tratados como iguais nem no funeral realizado em Viena: o caixão da Sofia não portava as insígnias ducais, somente um par de luvas e um leque – símbolos das damas de companhia da corte, o seu caixão foi colocado mais baixo do que o caixão do seu marido. Eles foram sepultados na cripta familiar do Castelo de Artstetten, na Áustria.

Manobras histórico-bélicas

Durante este ano inteiro, no castelo de Konopiště e na cidade próxima a Benešov decorrem eventos que comemoram esse casal extraordinário. Um dos cumesápices desse programa será o encontro internacional dos clubes da história bélica „Aos meus povos 1914 – Benešov 2014“, que se realizará entre 30 de maio a 1 de junho em Benešov e seus arredores. Esperam-se uns 250 soldados membros dos 40 clubes de história bélica da República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Eslovênia e Alemanha.

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